Especial Alzira – Discurso de posse

 Discurso de posse da Prefeita deLajes – Alzira Soriano

 

alzira-soriano-2“Determinaram os acontecimentos sociais do nosso querido RioGrande do Norte na sua constante evolução da democracia, que amulher, esta doce colaboradora do lar, se voltasse também paracolaborar com outra feição na sua obra político-administrativa.De outro modo, portanto, não poderia se ser.As conquistas atuais, a evolução que ora se opera, abrem umaclareira no convencionalismo, fazendo ressurgir a nova faceta dossagrados direitos da mulher.Inovação estética não pode ser, o que se observa é aconsciência elegante de uma conquista.Um espírito brilhante fazendo da política verdadeira obra deeducador, fundiu na retemperada abnegação de suas virtudes cívicas,a realidade d movimento em torno da emancipação política da mulher.Este educador político é o eminente Senador José Augusto.Sucedeu-o no governo, este outro espírito, cuja energia fetichistae inteligência admirável está fazendo no Rio Grande do Norte umaverdadeira escola de democracia fundindo-o numa grande oficina detrabalho.É justamente o presidente Juvenal Lamartine quem encarna nahora histórica que atravessamos, o verdadeiro condutor de homens,na convicção de assim o fazendo, reintegralizar o Rio Grande do Nortenas suas mais justas aspirações de processo e de liberdade.Assim, neste ambiente de liberdade e trabalho, de patriotismo ede tolerância tornou-se em realidade o nosso sonho de igualdadepolítica.A prova eloqüente de reconstrução político-social, caracteriza-sepela minha eleição ao posto de prefeita deste município.Tomando posse do cargo, em que a vossa bondade tão generosae confiadamente me investiu, não ouso fazer promessa que a minha

incapacidade e talvez a insuficiência dos estímulos necessários mepoderiam privar de cumprir.Nem o momento é daqueles em que essa ousadia fosse fácilporque, assim como o nosso pequeno, mas laborioso e prósperoEstado, volta hoje as suas vistas curiosas para o município de Lajes,como campeão duma iniciativa audaciosa, vejo que as vossasconvergem para a obscura individualidade duma patrícia, cujo mérito éo de não recuar quando a mandam para frente.Não desejo portanto formular programa, embora seja uso fazê-loem ocasiões como esta. Sei que vamos tentar uma experiência difícil – difícil, porque a função é espinhosa, difícil porque essa experiência éa primeira a realizar-se no nosso país, difícil sobretudo porque aincumbia de sua execução, reconhece e publicamente confessa otemor de lhe faltarem força bastante para levá-la a um termo brilhante.Não é a mim que compete recordar o movimento liberal queresultou em Lajes a escolha duma prefeita para o cargo triênio quehoje começa, nem tão pouco julgo necessário para um maioadiantado, como felizmente já é o nosso, lembrar exemplo de energia,de vontade, de capacidade, de trabalho da mulher, bastantes para justificar a escolha que fizestes.É porque, sem prejuízo da natural modéstia, posso assegurar-vosao menos o esforço veemente para não desmerecer, quero apenas,seguindo um grande exemplo da história política nacional, registrar oque não farei no exercício do mandato, de preferência a alinharprojetos, que talvez não pudesse realizar.Não me prevalecerei do cargo para fazer favores a amigos eainda menos para negar justiça a adversários.Não abusarei dele para obter provento seja qual for a naturezadestes. O infortúnio do meu estado civil ensinou-me a trabalhar e aviver modestamente com honra, e não trocarei jamais a clama daconsciência e altivez da mediania por vantagens mais ou menossuspeitas que pudesse auferir da função pública.Destas negativas podereis deduzir uma afirmativa única e estafaço desassobradamente: a de unir todas as minhas forças para nãodesmerecer de excepcional prova de confiança dos que me elegeram

Prefeita de um município próspero e de tão largo futuro, como a nossaquerida Lajes.Suponhamos que este município é uma grande família unida esolidária. A família tem um jardim, sala, gabinete de trabalho, mesa,despensa e tudo se deve equilibrar sobre a pauta rigorosa dos ganhose das despesas: o município tem as suas ruas com a sua arborizaçãoe iluminação, as escolas que são os gabinetes, onde se prepara o seufuturo, a viação, o amparo à lavoura e ao comércio, que lhe fornecerãorendas – e tudo se regra pelas possibilidades nas despesas.Pois sejamos uma família; demos não só ao Estado, como àgrande Pátria, o exemplo dessa união fraterna, só por si capaz de nosgarantir bem estar e prosperidade. E, unidos trabalhemos.Aqui estarei para isso e pela minha parte peço a Deus que meguie e aos meus patrícios que me ajudam.”
Jornal A República – 04.01.1929. Cópia gentilmente cedida pelo historiador, pesquisador eprofessor Geraldo Albuquerque, coletada na sua já famosa Hemeroteca

particular, que possui maisde 2000 arquivos.
Matéria retirada do Jornal O GALO – Jornal Cultural, Fundação José Augusto – Ano XII, nº 3 –Março de 2000

Ana Amélia Fernandes

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